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Perfil das unidades agrícolas

Após traçar o perfil socioeconômico das famílias agricultoras, avançamos para a análise das unidades agrícolas, compreendidas como os espaços onde a vida das famílias agricultoras se reproduz, constituindo ao mesmo tempo local de moradia, trabalho e produção. São também os espaços onde se materializam as práticas agroecológicas. Com base nos mapas elaborados no LiteFarm (ver Imagem 1), foi possível detalhar o tamanho das áreas totais, produtivas e naturais de cada unidade agrícola familiar.

A área total corresponde à extensão delimitada pelos limites da unidade agrícola. Das 527 contas registradas no LiteFarm, 486 tiveram seus limites delineados. As áreas produtivas referem-se à soma das superfícies cultivadas, englobando hortas, campos e estufas. Já as áreas naturais correspondem a espaços que preservam características originais, sem modificações humanas significativas. Cabe destacar que, para esta pesquisa-ação, adotou-se o termo “área natural”, embora sua definição possa variar entre países.

Imagem 1: Sítio agroecológico em Santa Catarina, Sul do Brasil, registrado no LiteFarm.

No total, o estudo mapeou 3.547 hectares de área, sendo 1.312 hectares de áreas naturais e 1.428 hectares de áreas produtivas. Veja a distribuição das áreas de acordo com o tipo de uso (Gáfico 7).

Gráfico 7: Distribuição das áreas das unidades agrícolas de acordo com sua classificação (2022-2025, N=486).

Embora a definição de “pequena propriedade” varie significativamente de acordo com as especificidades geográficas, econômicas e regulatórias de cada país ou região, todas as unidades agrícolas mapeadas pelo estudo se enquadram nos critérios da FAO para pequenos produtores: aqueles que gerenciam áreas (cultiváveis/produtivas) de até 10 hectares, com uso predominante de mão de obra familiar e destinação de parte da produção para o consumo doméstico.¹ Tal caracterização é fundamental para compreender os resultados observados no presente estudo, uma vez que a literatura científica consolidada demonstra que o tamanho da propriedade constitui um fator determinante nas estratégias produtivas adotadas pelos agricultores familiares. Propriedades menores tendem a desenvolver sistemas de produção mais diversificados e intensivos, com maior eficiência no uso de recursos naturais e insumos² ³, menor dependência de mecanização e tecnologias externas, e níveis mais elevados de engajamento familiar nas atividades produtivas.⁴

Ao observar os dados por organização, destacam-se diferenças relevantes entre os contextos. No Brasil, as unidades agrícolas mapeadas pelo CETAP, Cepagro e MMV concentram as maiores médias de área total, enquanto na Guatemala (Vivamos Mejor) e em El Salvador (Fundesyram) as unidades são menores, refletindo a escala territorial e estrutura fundiária desses países. No México, as dimensões reduzidas das unidades agrícolas decorrem do histórico da reforma agrária⁵, que distribuiu terras em todo o território nacional, estabelecendo limites para cada família.

Gráfico 8: Média das áreas totais, naturais e produtivas por organização (2022-2025, N=486).

¹ KHALIL, Clara Aida; CONFORTI, Piero; ERGIN, Ipek; GENNARI, Pietro. Defining small-scale food producers to Monitor Target 2.3 of the 2030 agenda for sustainable development. Roma, FAO, 2017. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/6fd94201-0f37-4a10-8ba1-2ff04a471ca2/content. Acesso em: 27 set. 2025.

² AZADI, Hossein; GHAZALI, Samane; GHORBANI, Mehdi; TAN, Rong; WITLOX, Frank. Contribution of small‑scale farmers to global food security: a meta‑analysis. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 103, n. 6, p. 2715-2726, 2022. DOI: 10.1002/jsfa.12207.

³ EBEL, Roland. Are small farms sustainable by nature? – Review of an ongoing misunderstanding in agroecology. Challenges in Sustainability, v. 8, n. 1, 2020, p. 17-29. DOI: 10.12924/cis2020.08010017.

⁴ RUDER, Sarah-Louise. The ‘terms and conditions’ of surveillance capitalism: theorizing agricultural data policy and governance. The Journal of Peasant Studies, [s. l.], v. 52, n. 4, p. 725–750, 2025.

⁵ WARMAN, Arturo. La reforma agraria mexicana: una visión de largo plazo. In: FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Land reform, land settlement and cooperatives. México: FAO, 2003. Disponível em: https://geoamericaunaf.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/11/reforma-agraria-en-mexico3.pdf. Acesso em: 27 set. 2025.

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