O perfil socioeconômico das famílias agricultoras foi construído a partir das respostas ao questionário qualitativo SurveyStack, respondido por 443 famílias. Juntas, elas representam um total de 1.669 pessoas, sendo 311 crianças (até 14 anos), 324 jovens (15 a 29 anos), 851 adultos (30 a 64 anos) e 183 idosos (acima de 64 anos). A distribuição de gênero entre feminino e masculino mostrou-se equilibrada. Foi registrada apenas uma pessoa não binária.
Em relação às fontes de renda, quase metade das famílias (218) dedica-se exclusivamente à agricultura, enquanto as demais (225) conciliam essa atividade com outras formas de trabalho e renda (Gráfico 3).
Gráfico 3: Distribuição etária dos membros de todas as famílias que responderam o questionário qualitativo SurveyStack (2022–2025, N=443).
Gráfico 4: Número de famílias que trabalham exclusivamente na agricultura (2022-2025, N=443).
O gráfico a seguir (Gráfico 5) apresenta a divisão percentual das famílias segundo sua principal fonte de renda. A principal fonte de renda é definida pelo maior valor entre as três categorias: atividades agrícolas, aposentadoria e trabalhos realizados fora da unidade agrícola — como prestação de serviços, trabalho assalariado, etc. É importante explicar que definimos como atividades agrícolas não apenas a produção primária, mas também a realização de outras atividades dentro da unidade agrícola — como o processamento de produtos, hospedagem, agroturismo e realização de cursos.
Assim, se uma família declara que 65% da renda vem de atividades agrícolas, 30% de atividades realizadas fora da unidade agrícola e 5% de aposentadoria, sua principal fonte de renda é classificada como atividades agrícolas. Os dados estão resumidos por organização.
Olhemos para o contexto paraguaio: das 80 famílias mapeadas pela Asociación de Productores Orgánicos (APRO), 77,4% têm como principal fonte a atividade agrícola, 18,8% contam principalmente com a renda proveniente de atividades realizadas fora da unidade agrícola e 3,8% dependem de aposentadoria.
Gráfico 5: Principal fonte de renda das famílias por organização (2022-2025, N=443).
Num contexto geral, podemos observar que a maior parte das famílias (76,1%) tem a atividade agrícola como principal fonte de renda, o que sugere que a agroecologia representa uma alternativa economicamente sustentável para essas famílias, mesmo considerando que nesse conceito estão compreendidas tanto a produção primária quanto outras atividades realizadas dentro da propriedade. A lógica da pluriatividade — combinação de atividades agrícolas e não agrícolas desempenhadas por um mesmo grupo familiar — é recorrente na agricultura familiar e camponesa latino-americana, atuando como estratégia essencial de reprodução social e diversificação de renda.¹
Ao analisar detalhadamente a realidade de cada território abrangido por este estudo, podemos notar que existem algumas diferenças com relação às principais fontes de renda das famílias. Os gráficos a seguir (Gráfico 6) mostram qual a tendência de geração de renda das famílias por região (organização) em 2022 e em 2025. Como as organizações Corambiente e Vivamos Mejor entraram no projeto em 2023, para ambas o gráfico mostra apenas os dados referentes a 2025.
Gráfico 6: Tendência da principal fonte de renda das famílias por região (2022-2025, N=443).
¹ SCHNEIDER, Sérgio. A pluriatividade na agricultura familiar. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003. DOI: 10.7476/9788538603894
Asociación de Productores Orgánicos (APRO)
Asociación Vivamos Mejor
Centro Campesino para el Desarrollo Sustentable, A.C.
Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro)
Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP)
Corporación Buen Ambiente (Corambiente)
Fundesyram
Movimento Mecenas da Vida (MMV)
Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (meSSe)
Tijtoca Nemiliztli, A.C.
Inter-American Foundation (IAF)
Social Sciences and Humanities Research Council of Canada (SSHRC)
cepagro@cepagro.org.br