A agroecologia é muito mais do que a produção de alimentos em harmonia com a natureza, é uma trama viva de saberes e práticas que florescem na diversidade dos territórios. Na América Latina, a agroecologia germina nas culturas e modos de vida de povos originários, comunidades camponesas e tradicionais. E é neste chão fértil que nasce o projeto Agroecologia na América Latina: construindo caminhos, uma iniciativa que aposta no protagonismo das famílias agricultoras para gerar evidências sobre uma prática que é diversa e ancestral.
Partimos da premissa de que a pesquisa, quando construída em parceria com as organizações de base, revela-se uma ferramenta verdadeiramente transformadora e o presente relatório concretiza essa aposta. Foram cinco anos de caminhada, com a participação de mais de 520 famílias agricultoras, técnicos e técnicas de diferentes países, dialogando em três idiomas, atravessando desafios culturais, sociais e uma pandemia que nos forçou a reinventar nossas estratégias de ação. Entre avanços e obstáculos, enfrentamos também o desafio da gestão da comunicação e da inclusão digital.
Durante esses cinco anos, buscamos reverter lógicas de exclusão do conhecimento, promovendo sua inclusão e expansão a partir das perguntas que realmente importam. A pergunta mais marcante da nossa caminhada foi: “o que queremos saber?”. Essa é a grande chave do conhecimento. Como resultado, produziu-se muito mais do que dados, gráficos e informações, mas a transformação de sujeitos em pesquisadores de seus próprios saberes e fazeres. O empoderamento propiciado mostra que a construção do conhecimento é, antes de tudo, coletiva. Tecer redes e ativá-las por meio de diálogos, trocas e intercâmbios nos permitiu aglutinar diferentes realidades em uma diversidade resiliente, própria dos territórios latino-americanos. Neles, a agroecologia se compartilha como eixo comum das ações de agricultores e técnicos.
Os indicadores sociais, ambientais e econômicos trabalhados ao longo do projeto demonstram sua abrangência e relevância. Nossa pesquisa participativa se alicerçou na agroecologia como ciência, prática e movimento. Como ciência, ela promove o diálogo entre saberes tradicionais e acadêmicos — o esforço que resulta este trabalho. Como prática, se manifesta no fazer das comunidades. E como movimento social, encontra-se nas lutas e nos laços comunitários que sustentam as resistências da América Latina.
Que este estudo inspire reflexões, desperte novas perguntas e aponte caminhos para avançarmos na construção de ações que transformem realidades rumo a sistemas alimentares mais saudáveis, resilientes e integrados com as culturas locais.
Asociación de Productores Orgánicos (APRO)
Asociación Vivamos Mejor
Centro Campesino para el Desarrollo Sustentable, A.C.
Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro)
Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP)
Corporación Buen Ambiente (Corambiente)
Fundesyram
Movimento Mecenas da Vida (MMV)
Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (meSSe)
Tijtoca Nemiliztli, A.C.
Inter-American Foundation (IAF)
Social Sciences and Humanities Research Council of Canada (SSHRC)
cepagro@cepagro.org.br