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Agroecologia na América Latina

construindo caminhos

O projeto Agroecologia na América Latina: Construindo Caminhos é uma iniciativa de pesquisa-ação participativa em rede, desenvolvida por 10 organizações sociais do Brasil, Paraguai, Equador, Colômbia, El Salvador, Guatemala e México. É coordenado pelo Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), em colaboração com a Universidade da Colúmbia Britânica, do Canadá, e com apoio da Fundação Interamericana (IAF) e do Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais e Humanidades do Canadá (SSHRC).

Ao longo de cinco anos de execução (2020-2025), o projeto envolveu mais de 527 famílias agricultoras nos sete países, fortaleceu vínculos entre organizações de base e universidades e possibilitou diálogos com governos locais.

Embora tenha iniciado oficialmente em 2020, o projeto já vinha sendo gestado desde antes de 2016, graças ao apoio da IAF a organizações latino-americanas dedicadas à promoção da agroecologia. Há mais de 10 anos, parte dessas organizações apoiadas pela Fundação vem dialogando e realizando encontros presenciais para intercambiar experiências e metodologias de trabalho, sobretudo na temática dos Sistemas Participativos de Garantia (SPGs). Ao longo dos anos, essas articulações ganharam organicidade, consolidando-se em um grupo comprometido em promover conjuntamente a Agroecologia, para além dos SPGs. A partir de 2017, após participarem conjuntamente do VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia e do X Congresso Brasileiro de Agroecologia, realizados simultaneamente em Brasília, estas organizações começaram a construção de um projeto em rede, que teria como objetivo medir o impacto social, econômico e ambiental da Agroecologia a nível de América Latina. Estava plantada a semente de um novo projeto.

A ideia foi apresentada à Professora Dra. Hannah Wittman, da Universidade da Colúmbia Britânica, que na época integrava um grupo de pesquisa sobre indicadores e tinha experiência acumulada, tanto acadêmica quanto de campo, em trabalhos no Brasil, Paraguai, Guatemala e Equador. Compartilhando o interesse em medir e avaliar aspectos sociais, econômicos e ambientais da Agroecologia, ela passou a colaborar com a nova iniciativa, auxiliando inicialmente na identificação de um quadro de indicadores agroecológicos, processo participativo que iniciou em 2018.

Ao longo de 2019, o conjunto das organizações realizou uma série de encontros virtuais junto da professora Hannah para chegar a um quadro de indicadores com o qual fosse viável trabalhar. Essa construção culminou em um novo encontro presencial, desta vez em El Salvador, nos primeiros dias de 2020. Nessa ocasião foi oficializado o projeto de pesquisa-ação participativa Agroecologia na América Latina: construindo caminhos. Seu Comitê Gestor era formado por: Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (meSSe/Equador), Asociación de Productores Orgánicos (APRO/Paraguai), Fundesyram (El Salvador), Centro Campesino para el Desarrollo Sustentable, A.C. e Tijtoca Nemiliztli, A.C. (México), Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), Movimento Mecenas da Vida (MMV) e Cepagro (Brasil), além da University of British Columbia (UBC). Posteriormente, em 2023, somaram-se ao projeto duas novas organizações: Asociación Vivamos Mejor, da Guatemala, e Corporación Buen Ambiente (Corambiente), da Colômbia.

Na ocasião do encontro em El Salvador, o Comitê Gestor decidiu que uma das ferramentas utilizadas para a coleta de dados junto às famílias agricultoras seria o LiteFarm. Desenvolvido a partir da Universidade da Colúmbia Britânica, com a parceria da professora Hannah Wittman e Dr. Zia Mehrabi, o LiteFarm é uma aplicação digital gratuita e de código aberto que tem como o objetivo contribuir com a pesquisa sobre sistemas agroalimentares e com a gestão de unidades agrícolas familiares e diversificadas. A partir de então, as organizações passaram a utilizar e também codesenvolver o aplicativo.

Entre janeiro de 2020 e setembro de 2025, foram realizados uma série de encontros virtuais e presenciais, definiu-se o quadro de indicadores que serviria de base para o estudo e as coletas de campo iniciaram, com mais famílias sendo incluídas a cada ano. Anualmente, as informações geradas eram sistematizadas e estudadas. Esse processo resultou na elaboração do relatório final do projeto, lançado em 2025, no qual se apresenta uma síntese das informações geradas entre 2021 e 2025.

O relatório Perspectivas da Agroecologia na América Latina é, sem dúvida, um dos principais resultados do projeto — mas também o é a sua metodologia, construída a tantas mãos. Mais do que gerar indicadores, o processo em si revelou-se um espaço de aprendizado coletivo, em que organizações, famílias agricultoras, universidades e apoiadores puderam trocar saberes, experimentar e aprender juntos/as, fortalecendo-se mutuamente. Essa vivência traduz, na prática, a essência da Agroecologia: ciência, movimento e prática que floresce a partir da cooperação, da diversidade e do cuidado com a vida. Com essa construção, nosso intento foi aproximar conhecimentos científicos e populares para gerar uma compreensão mais ampla sobre a Agroecologia.

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